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...uma criatura magrela e um ser que deixa a desejar no quesito beleza; ao me ver tenho certeza que não darias nada por mim, mas ao levar um papo tenho certeza que pelo menos um dinheiro pro café,você vai dar !

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Poeta e O Malandro Cap. 2

Débora Andrade era jornalista feito Gabriela,escrevia sobre assuntos políticos e famosidades.Vinha de uma família do interior,com pouca renda,porém seu pai se esforçou até o último suspiro para pagar-lhe a faculdade particular de letras em Portugal,e ela reconheceu o esforço se formando com a melhor média de notas de seu curso.Logo conseguiu um emprego no,hoje reformulado,Gazeta De Notícias,um jornal de tradição na época,pelo qual tinham passado grandes nomes como Euclides da Cunha,Machado de Assis e o próprio Janini.Lá fez uma consistente carreira e foi indicada a trabalhar pela Revista Da Semana,como editora chefe,entre boatos e verdades sobre um possível caso dela com o Diretor do Gazeta De Notícias,Débora deixou o jornal,causando espanto à muita gente.Foi aí que se dedicou a poesia e a estudar a fundo a literatura,já que assim,com sua nova posição,sobrava-lhe tempo livre.
Foi um dia difícil pra Zé,aquele em que Janini conheceu Débora.Me disse que uma hora ele estava lá,com uma linda mulher aos seus pés,em sua cama,mas não era "dessas",ela era diferente,suave,outra hora lá estava ele,observando o que parecia a mesma mulher,falando com interesse àquele senhor que se sentava todos os dias na mesma mesa,agora ela era arrebatadora,pungente em sua frieza,disse ele pra mim que ela saiu com o tal velho e nem disse pra onde ia,foi a primeira vez que,uma mulher,nas palavras dele "magoou o malandro".E Zé saiu cedo,já bebia às cinco,chutou a porta do apartamento e deu de cara com um revólver em cima da mesinha de centro,o revólver era prateado e ao lado do tambor possuía as letras STAR,ele começava a descobrir a outra face de seu companheiro de aparte.
Raimundo Star,se chamava por nascença e identidade,Raimundo Maria Jacobino Da Anunciação,vinha da Paraíba fugido de seu pai e seus tios,grandes fazendeiros e coronéis que queriam lhe tirar couro depois de saber que ele fazia artes duvidosas sob a batina do padre da região,definitivamente constataram que no batismo,o único nome que sua mãe acertara foi o de "Maria".O apelido "Star" veio de um inglês que conheceu Raimundo no período em que ainda se adaptava ao Rio,usando a boca e o rabo para se alimentar,numa ordem totalmente inversa a convencional.O gringo ficou fixado no cordão de prata de Raimundo,que sustentava uma considerável estrela de diamantes,por vezes tentou até comprar,mas Raimundo,mesmo precisando e sendo um completo pilantra,sempre negou à todos a venda do cordão,dizia que era a única lembrança lhe restara de sua mãe.Levou um susto ao chegar frente ao apartamento e encontrar a porta escancarada,e um susto maior ainda quando não encontrou a arma que deixara ali,minutos atrás.Enquanto isso,pelo lance oposto de escadas,Zé descia quase tonto com o revólver na cintura totalmente visível,passou pela portaria e nem reparou nos dois sujeitos de ares sombrios que o encararam e pareciam reconhecer a arma.Naquela noite Zé foi "à forra".
No Green Pallace,pela primeira vez o apartamento 88 não apagou suas luzes,Jânio se divertia com aquela jovem mulher que lhe falava versos,e lhe provocava ao pé do ouvido.O Poeta me falou depois que foram pra cama em seguida e ficaram acordados a noite inteira,nunca acreditei muito nisso.Mas também nunca vi Débora de novo para perguntar,sei de gente que ficou acordada aquela noite.
Zé chegava pela Lapa lá pela onze,com três meninas que o agarravam para ele não cair,se sentou frente ao bar do moreno e logo apareceu um pra se opor ao revólver na cintura.Foi aí que o Malandro o puxou e levantou seu cano prata pro céu.Foi a cena mais engraçada da noite,ele desandou a dar tiros pro alto e o "maurício" de terno alinhado não sabia se ficava pra manter a pose ou se corria pra salvar a vida,decidiu por correr,e como corria o moço da brilhantina.Logo podia se ouvir apitos que indicavam que os patrulhas,guardas que rondavam a lapa,estariam chegando,fatalmente Zé seria preso,mas,alguém de capa escura e um cordão de estrela o puxou pra dentro de um Ford às onze e quarenta.Ao chegarem,tudo que os patrulhas encontraram foram alguns copos quebrados e gente que não queria falar,nem notaram os dois sujeitos de ares sombrios que destoavam do lugar e das pessoas que ali estavam.

continua...

Allan Bonfim.

5 comentários:

  1. ...
    nem sempre a gente fala das coisas do jeito certo, aquele foi só um ponto de vista feminista.

    Gosto quando vens, e deixas suas palavras, é sempre uma BOA surpresa.

    Beijo

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  2. Já é a penúltima parte? Ah, eu gosto tanto da sua escrita, da narrativa em si, que passaria horas e horas lendo-te.
    Continue logo, por favor. Curiosidade me consome. haha

    Beijos.

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  3. Não sei porquê não tenho recebido actualizações do teu blog --'

    Agora venho cá mais vezes prometo, porque honestamente eu adoro as tuas histórias!

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  4. chuchu,
    continuo adorando a narrativa!
    tem pegada, tem clímax... tem história!
    manda ver!

    beijobeijo

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  5. Pensei que não viria.

    Meu coração continua agitado, batendo pelo mundo. E o seu? Continua alado?


    Te abraço com carinho.

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