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...uma criatura magrela e um ser que deixa a desejar no quesito beleza; ao me ver tenho certeza que não darias nada por mim, mas ao levar um papo tenho certeza que pelo menos um dinheiro pro café,você vai dar !

terça-feira, 30 de junho de 2009

Minha namorada,ela e todas as outras

levantava como de costume,cinco e quarenta marcava o relógio na parede.olhava a janela(sua primeira identificação visual do mundo lá fora)ia direto para o banheiro,olhava-se no espelho como quem desconfia a falta de alguma coisa,mas não,tava tudo certo,é claro,e então tirava a roupa,entrava no box,abria o chuveiro,agora sentia a água estupidamente quente nas costas,durrante o banho pensava como seria o dia...sabonete...pensava mais um pouco...xampu...e dizia: é hoje...desligava o chuveiro,mas não...(droga,resmungava,tinha esquecido o condicionador)ligava novamente a água...condicionador,agora sim...enfim pegava a toalha saía do box,enxugava-se,escovava os dentes(não tomava o café da manhã,lhe fazia mal)procurava suas roupas,se arrumava e partia...chegando lá ouvia de tudo um pouco,mas estava pouco interessado no que acontecia por ali.

O que lhe fazia levantar toda manhã era ela,ou elas,ou tantas outras,nem sabia mais,estava mergulhado no amor dentro de uma rede de paixões que quanto mais lhe puxava ao fundo mais lhe trazia à tona.se encontrava dividido por três belas damas(ou não,costumava pensar enquanto ria sarcásticamente).

Uma delas era sua namorada e já firmado o compromisso que não tinha muito tempo,não podia de uma hora pra outra desfazer-se se assim desse na telha,claro,existia ali uma paixão como em todas as relações,não se julgava um canalha pois suas traições mais sórdidas não aconteceram além do campo dos pensamentos(não dentro daquela relação,pensava rindo novamente).

A outra era uma "amiga",por assim dizer,que já lhe despertava um desejo a um certo tempo.desejo este,mais carnal do que emocional,(alguns desses desejos até lhe levaram a acreditar-se um verdadeiro canalha,mas depois,sorriu e relevou-se)diante daquele corpo que não cabia a definição de "violão" pois nunca tinha visto um violão tão perfeito,com um par de seios razoavelmente fartos,cintura feita,um bumbum...(sorriu...difícil de se encontrar por aí,pensou)coxas grossas e pernas torneadas,mas prefiria não se arriscar,por conta do temperamento da moça,que não era do "tipo emocional" ao que estava acostumado e podia deixá-lo com uma grande dor de cabeça( problemas agora não,pensou ele,deixa pra amanhã,disse pra si,sempre em um tom sarcástico).

Finalmente a que lhe deixava mais encucado,pois oferecia mais risco a relação do que todas as outras já mencionadas(que outras?fora a minha namorada,só uma,na escala social não sõ tão safado viu?!disse sorrindo),não era o corpo.pois era um corpo comum aos olhos dele: pele negra(me lembra chocolate...adoro chocolate,murmurou só)pouco seio,magra,coxas razoáveis e uma longa perna,no quisito beleza não deixava a desejar...(mas também não impressiona,pensou...risos)

Algo lhe deixava perdido naquela moça,seria o seu jeito de ser,sua alegria,seu sorriso(que às vezes a deixa linda e faz-me completamente louco,será amor?....não,creio que não,pois não sinto aquele frio na barriga que dizem,pensa ele)ela exala algo diferente que o conquistou de alguma forma e desde o dia que aconteceu,ele não conseguiu mais tirá-la da cabeça.(NÃO,espere,uma certa vez senti uma coisa na barriga,mas quando cheguei em casa,tava mais pro churrasco do dia anterior do que um amor ou coisa do tipo...risos,sacana como é não resiste a uma piada)enfim,o seu turno termina ele se despede dela e vai pra casa,chega,lava a mão,como de costume,se olha no espelho e imagina como seria,se de repente ele contasse para ela ou para todas elas e todas as outras também tudo o que passa por sua cabeça(...melhor não,ele pensa)e se resolvesse cair dentro dessa paixão,deixando para trás os seus princípios?(impostos pela sociedade e não por mim,argumenta)se declarasse a ela tudo o que sente?

E então ele procura uma roupa discreta,se arruma,renova o desodorante,escova os dentes e sai(ah,tá bom...risos...e vou perder o jogo?!,diz ele ao narrador que vos escreve)é hoje ou nunca rapaz,eu digo...após um looongo silêncio ele responde com indiferença: hoje não,deixa pra amanhã !

Me recolho a minha insignificância narrativa e ele segue a tarde sentado naquele sofá,seu time perdeu de dois a zero(semana que vem vai vencer de goleada,diz ele não acreditando nas próprias palavras...)


sua vida segue,as dúvidas seguem,elas seguem e ele as segue a distância e em pensamento(é mais seguro,diz,diz e só diz)diz te amo a sua namorada como manda o figurino e continua lá,falando,(e pensando,eu penso,tá?!diz ele)acredito e concordo,digo eu.

é,sigo pensando em dizer tudo que sinto e que penso,mas hoje nem dá,já tá tarde...melhor amanhã...risos...


Allan Bonfim.

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