Quem sou eu

Minha foto
...uma criatura magrela e um ser que deixa a desejar no quesito beleza; ao me ver tenho certeza que não darias nada por mim, mas ao levar um papo tenho certeza que pelo menos um dinheiro pro café,você vai dar !

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O reveillon de Jim Carter (até mais)

O despertador tocou,e nossa,nem parece que são 8 da manhã.Eu me levanto e olho aquele gigante espelho que os caras do hotel colocaram na sala,percebo assim que tô ficando mais velho,tô ficando mais lento,mais curvado...que besteira.
Vou até a cozinha e bebo o que sobrou do uísque 76 que a Mel me deu de presente,eu penso,com a garrafa na mão,o quanto tô sozinho,o quanto o natal me fez feliz porque tinha gente aqui no apê,e mesmo eles não gostando nada de mim,eram uma companhia,enfim,me vejo só,anoitece lá fora,e eu pego o cigarro e vou pra varanda.Enquanto procurava o maço pensava em me jogar fora daqui,seria lindo sentir meu corpo debilitado cair do sétimo andar e ao chegar ao chão estalar fúnebremente.
Me dirijo a varanda,com o cigarro na boca,e quero pular de primeira,mas,eu escuto o que parece ser o barulho de uma multidão,estão todos lá embaixo,vejo no celular que é noite de trinta e um,31 de dezembro,é reveillon,e eu aqui,só,no alto do apartamento,esperando aquela maldita gente sair lá debaixo da minha sacada,será que nem suicídio eu posso fazer?! ...a gente não sai,permanecem lá por toda a noite e chegam a virar a madrugada..por fim eu desisto,caio bebâdo na varanda,amanhã será mais um dia entendiante.

Allan Bonfim,que mesmo sem inspiração queria deixar um último texto aqui,desejo a todos os leitores e amigos,um belo fim de ano com quem desejarem,desejo que a gente não se perca,desejo voltar um dia e encontrar vocês,enfim,um Bom Fim.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Retratação natalina (é natal,enfim)

E ao olhar tanta beleza,me senti injusto com tal a data,me senti injusto com aquelas pessoas,me senti injusto comigo mesmo,pois foi ali que vi,era natal,natal de verdade....decidi então me retratar.


Já gritei e,admito que foi um grito desesperado de quem já não aguenta a situação social,foi também um grito injusto pois,não tinha nem vivido ainda o natal de que tanto falei.
E então decidi vir aqui novamente,mas dessa vez para falar das felicidades daqueles seres lá da sala,sim,são pessoas felizes que procuram a cada ano,numa mesma data,a chamada felicidade.E digo com quase certeza que eles a encontram,de um modo diferente,a cada ano eles passam com seus entes e amigos mais queridos o que lhes é um marco de fraternidade e carinho.Fazem dessa época um marco de sua vida,fazem dela um tema,do qual há muitas estórias pra desenvolver.
São brigas,declarações,piadas,enfim,uma série de marcadores criados nesse dia,em todos os anos,mas hoje vou apenas mencionar o ocorrido desta noite,meia-noite do dia vinte e cinco de dezembro,o ano não faz muita diferença,já que é pouco mencionado quando se contam as peripécias acontecidas neste dia.

Desde cedo,já trabalham nas refeições que virão a compor a ceia,anoitece e chegam os amigos,tão amigos,que são como da família agora,são uma família,cumprimentam-se e vão se acomodando no espaço,chega também um irmão,de sangue,este o único a estar presente naquela noite,e então,não oficialmente,a festa se inicia.

Parece uma boate,a dança,a luz negra que ilumina o apartamento,poucos são os que arriscam os passos na "pista",poucos são eles ali no recinto,enfim,o pai-Papai-noel chega e,auxiliado pela mãe-Mamãe-noel,entrega os presentes,e precisavam vocês,ver o encanto nos olhos das crianças e quem diria? de alguns adultos também...depois do presente,vão as crianças alegres experimentarem para lá seus novos brinquedos,um dos amigos meio bêbado,pede a palavra,faz um discurso belo e simples ou simples e belo como preferirem vocês,faz um discurso sobre o natal e a amizade deles,àquela presente ali desde o início,vejo então,o tão procurado e aguardado,muitas vezes usado,sim,era ele,ali na sala,bem na minha frente,era o espírito natalino,eles os faz brindar,ele os faz chorar e lembrar de outros natais,puxa também outros mini-discursos que são pura demonstração de amor.Permanece ali,pelo resto da noite,quieto...eles dançam,bebem mais um pouco(minto,bebem muito,muito mesmo),penso à essa altura,terceiro andar,que a alegria está nas pequenas coisas,um pequeno apartamento,ou até,um pequeno copo de cerveja,enfim,dormem,e vejo ali,naqueles corpos relaxados,uma satisfação notória,uma face risonha,e foi ele,foi ele,o espírito natalino.Conversamos um pouco,ele me mostra outros natais por todo o mundo e me manda vos contar.


E ao olhar tanta beleza,me senti injusto com tal a data,me senti injusto com aquelas pessoas,me senti injusto comigo mesmo,pois foi ali que vi,era natal,natal de verdade....decidi então me retratar.

Allan Bonfim.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pra (não) ser (a)normal (o feliz natal brasileiro)

Pra (não) ser (a)normal,me disseram que era preciso ser ético (e fui,mas fui 'tico' também),disseram-me que precisava ser respeitoso,educado,comportado,mas comportado dentro de quê? dentro de um lugar feio e sujo feito o país?

É,pra (não) ser (a)normal,me dizem até hoje,para não roubar,não matar,dizem pra ser paciente,mas confesso que tô cansado de ver essa calamidade,essa miséria aí fora,e na verdade,não é só cansaço,é também vergonha.Não só a minha,é vergonha de ver os 'engravatados' com vergonha de olhar aos pobres,adoentados e viciados,aos descascados.
E mandam livrar-se deles,com choques de 'ordem',que,na verdade,são choques de medo (medo próprio da miséria),aí mandam tirá-los da frente dos prédios,da frente das lojas,da frente das praias,dos turistas,da frente do povo...

- MAS EU TENHO UMA NOVIDADE PARA VOCÊS ,SENHORES !!!
- ELES SÃO O POVO.
E pra (não) ser (a)normal,me dizem pra não xingar e xingam na frente das crianças (xingam as crianças),dizem pra não roubar e roubam na frente das crianças (roubam as crianças),dizem pra não bater e batem na frente das crianças (batem nas crianças),dizem pra não gritar...e não gritam,eles não têm mais tanta coragem assim,perderam-na em outros natais,pois,agora quem grita,são as crianças,revoltadas,com seus hematomas e sua fome.


Pra (não) ser (a)normal (leia bem,pois não vou reescrever) o brasileiro tem que se calar e sentar no seu sofá,se tiver,pois se não tiver,sente no chão e contente-se com o mesmo comercial de natal da Globo,fique feliz por sua folga no natal,por poder comemorar este natal com sua família ou quem quer que seja,pra (não) ser (a)normal,você tem que,depois de tudo isso,voltar a trabalhar feito um IDIOTA e carregar a MERDA deste país nas costas,enquanto os braços,as mãos e outros membros da lei e da ordem,carregam o vosso dinheiro dentro de suas calças,cuecas e calcinhas,e você,brasileiro fiel que é,vai em 2010 torcer por nossa seleção e reclamar de algum outro escândalo político que,concerteza,acontecerá,enfim...

Foi um dia inesquecível,todos juntos,com suas famílias e presentes,comemorando um belo natal,um feliz natal,num país em desenvolvimento,quase sem fome,com muitas belezas naturais,no qual,nós,o Governo,procura sempre fazer com que o brasileiro,nosso trabalhador,seja mais feliz...


Feliz natal,Allan Bonfim.

sábado, 19 de dezembro de 2009

CARTA ABERTA AO AMOR (é fim)

Ventos sopram mais suaves nesse fim de mais um ciclo,pois ao olhar para trás tudo me parece mais distante e a única coisa que faz sentido é você.Nem eu mesmo encontro sentido próprio,tudo bem que já não encontrava,mas agora parece estar tudo desarrumado de vez,não consigo me concentrar em um simples observar da paisagem sem pensar em você.

Já larguei as velhas e os velhos vícios,já esqueci novos e amores antigos,tá tudo perdido lá trás,não peço de volta e nem me interessa mais.O que quero é te curtir ao máximo,aprender com você,crescer com você,chego a pensar que sem você,não vivo mais.
Quero formar amigos contigo,quero que nos conheçam e elogiem,quero que seja,acima de tudo,uma espécie de confidente e válvula de escape para minhas tristezas,confusões,soluções,alegrias,teorias e mais,quero poder voltar a te ver logo,não posso te tocar mas toco,com minhas palavras,com meus sentimentos,o que tenho de mais sincero.

Enfim,não espero que com isso te emocione,só desejo mostrar o quanto te considero,meu belo e querido blog.

Allan Bonfim.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Jean Barbie,amar é questão de "jeito"

Levanta,sacode,vai pro banho,aí demora mais de um ano.Já fora do banheiro,lápis de olho,brilho nos lábios incrivelmente natural,um pó de arroz básico,batom com tom de pele (pra ninguém quase perceber) cabelo pra cima num gesto rápido com o gel,bermuda,blusa simples,hoje é segunda apenas.
E lá vai Jean Barbie descendo o morro a caminho do salão,desvia olhares em um misto de preconceito e fascinação,mas não,ninguém vai bater nele como já aconteceu,ninguém vai cuspir nele como já aconteceu,ninguém vai xingar tal como aconteceu(não alto).Êta gente preconceituosa,olha com raiva o que não compreende,e Barbie,como não tá nunca "aí" pra isso,entra,corta,fofoca,grita,ri,corta mais e mais,reclama do calor pois inda não tem ar-condicionado no salão,almoça e volta a cortar,e como corta bem o carinha,ou a figura,como gosta que o chame.
- Figura de RESPEITO,ele diz.
Agora é sem dívida uma figura de respeito na favela,fez questão de quitar o volumoso carnê das Casas Bahia.E não tem pra ninguém no pátio da escola de samba,Jean Barbie tem samba no pé,dança como homem mas tem a vontade de uma mulher,tem vontade,tem jeito,tem pinta,tem pinto também,e tem amores,um deles,Jair,é alto,moreno...é o tipo de homem que é querido e desejado por todas as mulheres e odiado e invejado por muitos outros,menos Barbie,que é com dúvida um cara meio diferente.Jair com sua simpatia e responsabilidade,leva as declarações e indiretas de Barbie com muita brincadeira,ele não é tão "diferente" como homem,não é como Jean Barbie.Há ainda outro amor,mas esse,Roberto,não tem nada de simpático ou responsável,não com Jean,é um cara instável,violento e bruto,mas Jean não liga pois só quer é ser amado e se sentir desejado por alguém,que seja.E esse alguém é Roberto,que disfarça seu "jeito diferente" à frente de sua mulher e sua menina de nome Catarina.

Mas Jean,já cansado,espera uma definição,colocou Roberto contra a parede,jurou contar pra todos que sua valentia diminuía bastante entre quatro paredes,de 4 entre 4 paredes,e a definição não demorou a vir...veio,veio,veio,sim,foram três definidos tiros em Jean Barbie,pelo respeitado e temido cabo da polícia militar Roberto Silva,a notícia saiu assim:

"HOJE NA LADEIRA DOS TABAJARAS,LUÍS CARLOS TAVARES FOI ASSASSINADO COM TRÊS TIROS POR UM CABO DA POLÍCIA MILITAR,LUÍS,CONHECIDO POR 'JEAN BARBIE' É ACUSADO PELO CABO,DE TER ENVOLVIMENTO COM O TRÁFICO DE DROGAS E DE TER TROCADO TIROS AO SER ABORDADO EM SUA RESIDÊNCIA,A POLÍCIA ABRIU UM INQUÉRITO PARA APURAR O CASO"

Amigas de Barbie dizem e sabem que,na verdade,ele nunca foi traficante ou teve arma,teve sim amor,pelo cabo,seu carrasco.O "rabecão" não sobe até o alto do morro,então subiram com a maca pra levar o corpo de Barbie até lá embaixo...

E lá vai Jean Barbie descendo o morro a caminho do caixão,desvia olhares em um misto de preconceito e fascinação,mas não,ninguém vai bater nele como já aconteceu,ninguém vai cuspir nele como já aconteceu,ninguém vai xingar tal como aconteceu(não alto).Êta gente preconceituosa,olha com raiva o que não compreende,e Barbie,como não tá mais "aí" pra isso,não entra mais,não corta,não fofoca,não grita,não ri,não corta mais e mais,não reclama do calor pois inda não tem ar-condicionado no salão,e como cortava bem o carinha,ou a figura,como gostava que o chamasse.

- Figura de RESPEITO,ele dizia.Figura de RESPEITO,virou Jean Barbie na favela,seu enterro ficou lotado,todos queriam ver o "viado" que colocou o respeitado cabo,de 4.

Allan Bonfim.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Da alegria raiou o dia (Uma vez Flamengo...)

Era uma alegria imensa a que tomava todos aqueles seres,juntos gritavam,rezavam,choravam,clamavam por um só objetivo,pareciam,por ao menos uma vez,compreender uns aos outros,sentir os próprios corações.Entoavam o hino,que estava na ponta da língua,nas veias do coração.A euforia era tanta que não cabia em cada um deles apenas,ela se esvaía por entre as ruas,contagiava os mais sérios,e tal sensação pedia movimento,alguma reação,pedia-lhes um grito,um pulo,um sorriso,mas pedia também,um gol.

Foi o que aconteceu ali,naquele 6 de dezembro em pleno Rio De Janeiro,o time de azul,preto e branco,sutilmente coloca a bola na rede,contrariando 11 em campo,80 mil nas alturas do céu rubro-negro que se transformou o "maraca",e mais de 30 milhões do lado de fora,espalhados dentro sim,do planeta,em diversos países,de diversas religiões,de diversas etnias,diversas línguas e ideologias.Estavam agora atônitos,sem saber o que pensar,traumas antigos viriam assombrar os "guerreiros",batalhas perdidas seriam lembradas,o trauma de quem espera um título nacional faz 17 anos,isso mesmo,17 anos separavam a glória de tempos atrás de uma possível conquista guerreira da geração 2000 daquele time,daquela nação.
As letras de coragem e raça são entoadas pela torcida que ignorava o placar,e como foi lindo,pois,aos gritos e juras de amor eterno,o até então imperador escora a pesada e primeira bola que viria a abrir o caminho para seu primeiro título dentro de seu império,dentro de seu país,dentro de sua nação,aproveitando-se da bobeada da zaga, (coitada,nada podia fazer,estavam impedidos por uma imensa parede imperial,as costas de Adriano),um zagueiro,esse com a camisa rubro-negra,número 40,sim,ele empurra a tal bolinha pra dentro da rede,fazendo estourar por todo país e também pelo mundo,o grito "Vamos flamengo,vamos ser campeão,vamos flamengo,minha maior paixão..."
O juiz apita o início da etapa final,o 1 a 1 do placar precisava virar 2 a 1 e o número 40 nem imaginava que a partir do zero a zero saía a profecia daquele jogo de importância mundial,isso mesmo,tirando o zero do 40,temos quatro,mas não é só isso,temos também Angelim,zagueiro camisa 4 do Clube de Regatas do Flamengo,responsável pela volta da glória conquistada pela última vez a 17 anos atrás,um êxtase toma conta da massa rubro-negra,ali em campo,não era o dia de Adriano o imperador,também não era o de Petkovic,o sérvio responsável por entortar pernas e olhares,fazer gols fenomenais que até Deus duvida,não brilhou naquele domingo,era dia da zaga,dia do 4 e do 40,o Flamengo era Hexacampeão,do meu lado uns gritavam loucamente:
- "É HEXAAA" !!!
- "É MENGÃO PORRAAA"
Eu,esbravejava gritos calados de 17 anos,admirava o meu time,assim como milhões de "brasimengos" espalhados pelo país,era o grito da torcida campeã...


"DA-LE,DA-LE,DA-LE ÔH
DA-LE,DA-LE,DA-LE ÔH
DA-LE,DA-LE,DA-LE ÔH

MENGÃO DO MEU CORAÇÃO"

No dia seguinte,todos acordaram para o trabalho como de costume,quer dizer,minto.No dia seguinte,todos acordaram cedo para o trabalho,respeitando a regra de toda segunda,mas não era uma segunda normal,eram padeiros,motoristas,motoboys,taxistas,faxineiras,engenheiros,executivos e até os desempregados,derrotados socialmente,todos,se sentiam naquela segunda,7 de dezembro,vencedores,campeões,e não uma ou duas,eram 6 vezes campeões,estavam ao menos felizes.


e naquela manhã de segunda,o Rio De Janeiro se cobriu de vermelho e preto,não era o vermelho sangue e o preto fúnebre a que estavam acostumados os cariocas,era um vermelho e preto de campeões,estavam cobertos pelo manto sagrado !

Allan Bonfim. (eterno rubro-negro)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Resposta do "Zé Minguela" (Coisa de irmão)

Uma tarde chuvosa dessas em que a maioria insiste em chamar de "chata" ou "boa pra ver um filme no sofá,com pipoca e pijama",estava a navegar na internet e entrando no blog pra publicar um texto,que seria,até então,sobre a conquista recente do título de campeão brasileiro do meu time do coração,o MENGÃO ou Flamengo,como preferirem,estava com a idéia,com a vontade e a inspiração necessária pra fazê-lo,quando de repente me deparo com um comentário que me surpreendeu,não só pela pessoa autora do próprio,mas também por estar ali,ou aqui,no blog.Logo ela que pouco comentou,mesmo com repetidos pedidos,sim,está ,registrado.Não sei se comemoro ou respondo ao seu seco comentário,decido responder.
Quero dizer que ultimamente não tenho sido o "irmão perfeito",nunca fui,também nunca tivemos a "família perfeita",e assim,por natureza,nos fizemos "anormais" desde pequenos.Não é segredo nenhum pra você,minha irmã,que sempre fui um pouco maluco,quero dizer,totalmente maluco.Fazia coisas que iam de imitar automóveis a enfiar um botão solto em forma de bola no nariz,e ainda ficava chorando e gritando apavorado:
- Jéh,socorro,eu vô morrer !!!

- Vai morrer porque,moleque??
- Minha mãe vai me matar !!!
- Rhuan,calma,o que tá acontecendo?
- Eu enfiei uma bola no nariz...E VÔ MORRER !!!
- KKKKKK,que imbecil !
- Tenta tirar expirando o ar...
- Num consigo,eu vô morrer e minha mãe vai me matar,eu disse já chorando.
- Se você morrer,minha mãe não poderá te matar,gênio.

Enfim,a bola-botão não sei como,saiu facinho do meu nariz e eu ali com os olhos cheio de lágrimas me vi um bobão,meses depois contamos para minha mãe que acho que riu da situação.Foram vários fatos engraçados,como a vez em que grudei minha língua no congelador,mas vários fatos tristes como da vez em que me esborrachei de bicicleta na rua e deixei parte de minha barriga em carne viva.Ainda lembro de como eu pedalava rapidamente com uma imensa dor em direção a minha casa,chegando lá,estava a Jéh ouvindo música,lembro da tranquilidade dela para o fato,isso de certa forma,em todas as situações me fazia retornar a lucidez e perceber que não,eu não iria morrer com um botão no nariz,ou uma barriga ralada,e de certa forma acho que peguei um pouco disso para mim,pra minha vida.
Como na noite ou madrugada em que nossa mãe faleceu,eu me mantive tranquilo,e,por acaso do destino,a Jéh nessa hora chorou muito,estava inconsolável.É claro que senti muito a perda,pois é difícil deixar de ter alguém ali do lado com quem você contou a sua vida toda,no dia seguinte,dormi e não fui nem ao enterro,senti que minha despedida já tinha sido feita.
Hoje,morando em casas diferentes,sinto que a nossa relação irmão-irmã melhorou e amadureceu pra caramba,acho que a coisa de viver na mesma casa,quando se é de idades diferentes,de sexos opostos,provoca muitas indiferenças,muito atrito,e em casas separadas,dá até saudade,gera felicidade quando a gente se vê,gera ciúmes e,por consequência,comentários revoltados,mas me desculpe,minha irmã,prometo ir visitá-la,em breve,prometo sua camisa do flamengo,em breve,prometo devolver seu livro de frases geniais,em breve,e se isso não acontecer,se eu não aparecer,com sua camisa,com seu livro,espere mais um pouco,minha irmã,afinal somos família,somos Jéh e Rhu,somos "tico-tico" e "bluecalça",enfim,minha irresponsabilidade é tradição,é também acima de tudo,coisa de irmão.

Allan Bonfim. (O Minguela)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bons tempos atrás (saudade)

Chan,chan,chan,changes lá vem o meu trem,vem meu trem,tô saindo fora porque sei que vô me dar bem...(ouvindo "Changes" de David Bowie cantado por Seu Jorge)

Nada melhor que encontrar àquelas velhas amizades,numa tarde amena,sair sem hora marcada,chegar,batendo palmas no portão...
- Fala aê véio !
- Como vai,brother,o que tem feito?
- Quanto tempo tú não pinta por aqui...

E vai o papo que há muito não se fazia,pois,no MSN não é a mesma coisa não.Se relembram dos mesmos fatos,se fazem as mesmas perguntas e lá vão saindo "causos e contos novos" adquiridos com o passar do tempo,risos já saem involuntariamente,só por rir,é a emoção de estarmos juntos mais uma vez.O papo flui quase que imperceptível,eles observam-se e notam que o tempo passou realmente,as barbinhas,o tamanho,o tom da voz,a mente mudou,menos o jeito,o jeito está intacto,como guardado dentro de um cofre forte inviolável durante todos esses anos.Rolam-se piadas e de repente:
- PÁ,PÁ,PÁ,PÁ,PÁ (é o portão gente)
- Ei brow,abre aê !!!
Chega mais um amigo e as perguntas inevitáveis voltam a rolar quase sem querer,"o que tem feito?" ; "como é mesmo o nome da moça que tú tá pegando?";"que cabelo é esse?",risos loucos da situação,da conversa,do encontro,é o bate-bola com bate-papo,e chuta pra lá,pergunta vem,chuta pra cá,pergunta vai,agora procura-se atualizar,saber o que tem acontecido na vida de cada um ultimamente.
E a tarde vai se esvaindo e logo o primeiro "caras,tenho que me mandar,tenho uma festa pra ir e não posso atrasar" .
- Que isso,fica mais um pouco!!?!
- É cara,mó tempão que a gente não se vê,pô !
- Num dá mesmo brou !
A tristeza da partida,um "até a próxima" sela a despedida.Agora só dois,discutem sobre a essência,que não perderam por sinal,o lado infanto-juvenil do tempo do colégio,dos toques nas campainhas e da correria logo em seguida,a felicidade que os rodeava e ainda se mostra presente mas um pouco amadurecida.[...]Lembram de garotas,de casos,de brigas,lembranças coletivas e individuais de um tempo que não volta mais,e nem precisa,pois eles estão lá,no passado e ali agora,e se não fosse por aquele tempo,nada seria.
A noite desce,os compromissos a cumprir já gritam nos relógios,são comandados pelo tempo e não mais pelo cansaço,a última despedida possível,a promessa falha de novos encontros breves,a tristeza na face logo desmente qualquer promessa feita ali,mas eles,inda com alma de criança ingênua,preferem acreditar que logo vão se ver de novo,dizem um seco "foi bom te ver,irmão",prendem a respiração em demonstração de pura masculinidade,enfim um forte abraço seguido dum aperto de mão,um adeus disfarçado de...
- Tchau !

...tô saindo fora porque eu sei que vou me dar bem,sempre em frente,nunca pra trás,sempre em frente,nunca pra trás. (a música pára,eu acabo o texto)

Allan Bonfim.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Um belo níver... (enfim,Eu)

Esse escrito foge do típico do blog,mas afinal,o blog é meu,e não sou típico,sou tico, TICOÉTICO !

Não preciso da sensibilização alheia para com a minha pessoa,é plenamente um desabafo pessoal e direto.Não,não sou ingrato,agradeço a todos os emails,sms's e telefonemas de pessoas que pouco vi,de outras que pouco conheço,de parentes,até das ex's,e claro,dos amigos,esses são deveras importantes,sim.Mas peço que me desculpem,não tenho vontade,nem motivos claros pra comemorar a data que se faz hoje,o tal aniversário do Allan,do Rhuan ou do Ticoético (ou tico-tico como diz minha irmã de DEZOITO anos),como preferirem vocês.Vejo que ainda não consegui nem o inicio do que eu busco,não realizei nem a metade do que ainda há pra fazer,não consegui ser nem o começo da "pessoa melhor" que prometi a tanta gente,nem sei como ser está tal pessoa,não tenho nem o país que queria,do jeito que queria,e sim,isso me incomoda tanto.
Toda essa corrupção na política,na polícia,no comércio,em todo lugar,é tamanha que já sinto impregnada na sociedade desde o berço,e como eu acho chato ter de falar disso,como acho chato quase ninguém estar aí pra isso,como eu acho absurdo toda essa violência e o ponto em que chegou a mesma,acho cortante o ritmo crescente que atinge,literalmente,o mundo,que evolui a raça vivente mas estraga o terreno,acho triste quase ninguém perceber isso,acho mais sinistro haver quem perceba e não faça nada,acho ridículo eu estar aqui e não fazer nada,acho que o mundo poderia ser melhor,mas também acho que falo besteira pois,até agora não vi esse tal mundo melhor.
Me disseram por meio de ligações,mensagens e emails que: "você vai atingir tudo o que deseja","não mude a pessoa que realmente é","felicidades","devolve meu cd","nem sei o que dizer","você ainda tem muito pra render","poderia ser pior" ,enfim,entre outras coisas.O motivo de eu ter colocado todas essas mensagens é justamente demonstrar o que acabo de dizer,ou metade pelo menos,pois quando alguém me diz que irei atingir tudo o que desejo,quer dizer na verdade que eu não consegui,acho bonito sim,pois quando se pára de ter objetivo,acredito que se pára de viver,em relação ao cd,declaro que sou inocente,já procurei por tudo quanto é lado e não encontrei,sobre o último foi um email spam de uma funerária,sobre os outros,tirem suas próprias conclusões.

Enfim,pra terminar,quero dizer que ainda gosto de mar,e gosto de escrever,e gosto de vento,ainda gosto de ler algo,gosto de música,,gosto de chuva,gosto de violão e do som que ele faz,gosto de ver as pessoas passarem e imaginar onde estão indo,gosto de ciclos,ainda amo muito a Mim,a Brenda,minha irmã,minhas famílias e os amigos,gosto do amor,entro e saio rápido de tudo sempre pegando algo útil (exceção para lojas de conveniência,hehehe),sou discreto mas deixo pista,no fim,da pra imaginar isso aqui como um grande perfilzão atualizado e programado para ser publicado hoje,dia 2 de dezembro,o que desejo?

Uma feliz vida e um belo aniversário para... Allan Bonfim.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um 38 para escrever (homicida-suicida)

Já não sinto mais vontade de viver,acabou-se o vinho,e onde está você?
Vidas perdem sentido quando não se pode mas viver.
Já se foram os amigos,e onde está você?
Depois de anos antigos,de junto viver,se acostuma fácil,mas onde está você?
Me impediram de andar por aqui,de falar,de cantar,de dizer.
Hoje tanto faz pra mim,já cansei de lutar,onde está você?
Há anos que tento e brigo,chego,berro e grito,mas tudo pra quê?
Se na hora em que consigo,enfim ser ouvido,onde está você?

Já se foi com meus filhos,e saiu sem avisar.
Ao voltar para casa,inda pergunto aos vizinhos,você não está.
Me levou os pupilos,conseguiu me enlouquecer.
É torcer,eu não te encontrar,é pura sorte você ainda viver.
É uma briga no bar,e olhar o que você me fez.
É a família que vai,me deixando pra trás,e onde está você?


Sozinho eu consigo,pensar num castigo quando se rouba um filho.
Te vejo e te encaro,respirar vai ser raro,no teu caso,quando eu te tocar.
Um tiro,te acerto,o segundo eu erro,assim já me desespero mas não posso reverter.
No chão,sangue teu,inda não morreu,do lado um pobre ser.
Agora três tiros certeiros,meu menino morre primeiro,mas o terceiro é pra você.
Correndo se vai a garota,acredito que confusa,disse-me: "pai filho da puta".
Já não a posso mais ver.

Me pego transformado,fui mas não pretendi ser.
De homicida fui chamado por matar um pobre ser.
Triste me encontro,se sabes,por matar.
Não me arrependo,não me escondo,espero o meu final.

Uma garrafa pra pensar,logo outra pra esquecer.
Ninguém pra desabafar,aonde está você?
Não sabes o que é uma filha longe,sem nem saber o que é viver.
Um filho morto e um crime torto,procuro algo a fazer...mas

Já não sinto vontade de viver,acabou-se o vinho,e onde está você?


Na ponta do cano desse revólver 38 que um dia você esteve,encerro este poema num ato pesado e leve.


Allan Bonfim.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Gatos,gatas e Sílvia (madruguela)

É noite,deitado a cama,eu passo canais na televisão procurando algo interessante ou qualquer coisa que apenas faça-me rir,o tempo passa e logo a inocente meia-noite que acusavam os ponteiros,vira como num piscar de olhos,duas e meia da madruga.Eu ali,parado,esperando o sono vir,vejo um vulto longe passar lá fora,ignoro,não me permito "delírios da madrugada" tão fáceis assim.O vulto passa novamente,dessa vez um pouco mais próximo da janela,e isso sim me faz levantar.Caminho para longe da caminha em direção a janela,eu a abro e o vulto passa bem em frente a minha face,e que gata linda é.Um pêlo negro brilhante,parece coberto de óleo,ela salta ao meu encontro,como pedindo carinhos e afagos,eu não os nego,e faço. (tá agora imagina a cena,um cara com a janela aberta as duas e tantas da madruguela,acariciando uma gata preta,hahaha,merece ficar mais interessante essa história,vamos ver)
A gata me encara e,seu olhar,esquisito,parece humano,poderia até dizer que conheço esse olhar,mas não,devo tá delirando,eu a pego e levanto-a pra ver se era mesmo gata,e aí surpreendentemente:
- Qual é a dúvida rapazzzz? ELE diz com uma voz grossa,por sinal
- TÚ É GATO???

- Claro que sssou um gato,achou que era um bode,um pásssaro? imbessssil,diz com sutileza.
- E AINDA FALA??
- Ah,IMBECIL é com C,tanto na fala quanto na escrita,seu BURRO !

- Ha,tanto fazzz idiota...e já disssse q sssô um gato,não um burro,nem uma vaca...
- Não te chamei de vaca !
- É,eu sssei,tava pensssando em sssua mãe.
- Ahn?! AH GATO FILHO DA...

- Gata,por sssinal,mamãe tinha um cccharme...
- Aê,me dá um motivo pra eu não te jogar daqui agora!
- Na verdade,eu adoraria,sssuasss mãosss de repente ficaram tão insssensssíveis... (hahaha,tá um gato sacana e falante com a língua presa foi legal,mas pode ficar melhor,então voltemos aquela parte lá em cima)
A gata me encara e,seu olhar,esquisito,parece humano,poderia até dizer que conheço esse olhar,mas não,devo tá delirando.Eu a levanto e ela surpreendentemente me ataca,em frações de segundos eu me encontro caído e desacordado.Sinto um desconforto no peito,abro os olhos e lá está uma bela mulher com um vestido preto,prefiro não comentar o tamanho,ela me dá a mão e diz ao meu ouvido:
- Prometo fazer dessa a sua melhor noite,numa voz suave.
O vestido preto,meio fúnebre,me grita algo,mas confesso que naquela hora,com AQUELA na frente,não dava pra pensar em muita coisa.E com a mesma rapidez com que me atacou,safada,ela tira o vestido,num resisto e solto a piada sacana:

- Quem diria que eu passaria a noite com uma GATA,COMO VOCÊ?! (entendeu a piada suja?)
Acho que ela também entendeu,e não gostou pois após o meu grande dito,me jogou na cama e começou a despir-me,e quando eu pensei que ela iria fazer valer a falta de sono que me atingia:
- AAAAAI,TÁ LOUCA?!
A maldita começou a me arranhar,e me deu um soco,que...zzzzzzzz,é,me desacordou de novo.Quando acordei novamente a maldita desarrumava toda a minha casa (ha,nem teve muito trabalho),e por isso,ela voltou e começou novamente a me arranhar sem piedade,POR TODAS AS PARTES,a mim só restava uma coisa:
- SOCOOOORRO,SOCOOORRO,ALGUÉÉÉM PO -HAAA !!!
Senti novamente um leve aperto no peito e quando abri os olhos,lá estava Sílvia,me cutucando e perguntando se eu sofria de epilepsia,eu me levantei querendo disfarçar:

- Como é que é,tá louca cara?!
- Bem,eu entro aqui e você tá tremendo em cima da cama...e eu tô louca?
- Oras...como você entrou aqui? como conseguiu a chave?
- Helloo,você me deu a chave,baby,e trate de andar porque o rô já tá te esperando!

- ele me esperando? porquê?
- A reuniãão...
- Droga,a reunião!!!
Tratei de tomar banho e me arrumar com a rapidez da mulher-gata,e já na saída,Sílvia pediu pra me levar para a empresa no meu carro,disse que precisava treinar a recente habilitação conquistada,não vi problema,na saída da garagem avisto um gato ou gata ambos pretos e deitados no caminho,digo pra sílvia para acelerar com a desculpa de quê o carro não é muito forte em subidas de ré,ela o faz.
- PUFT,faz alguma coisa peluda no assoalho do carro,hehehe.
- Ai meu Deus !!!

- O que é?
- Acho que passei por cima de alguma coisa.
- Num liga não,é o quebra-molas novo do prédio,só pra segurança ! (miau ! ;)

Allan bonfim.

Olho mágico (e pra não dizer que não falei das flores)

Tenho um olho mágico,ele não é desse tipo de olho que se encontra em portas,falo do meu próprio olho,esse que se localiza na cabeça.Mas vá com calma,não quero fazer imaginar que só tenho um olho,tenho dois sim,pois acredite que apenas um deles é mágico.Posso logo explicar o motivo de chamá-lo olho mágico,com ele consigo ver aquilo que os outros não vêem,consigo ver aquela que os outros não vêem,por assim melhor dizer.É com ela que saio todas as manhãs,é ela que me faz rir no curto caminho,e mesmo já à tarde ela me diverte,usando sempre o mesmo vestido vermelho,meio curto,meio velho,essa menina pula d'um lado para o outro e como só um dos meus olhos é mágico (o esquerdo),facilmente ela se esconde e reaparece quando bem deseja,e nos lugares mais inesperados,se bem que...vindo dela,tudo pode se esperar,ela não vive sobre regras,não tem ninguém que a comande,ela aparece e desaparece quando quer.Outro dia me apareceu no meio da aula de história,subiu na mesa e a dançar se pôs,com aquelas caretas engraçadas que só ela faz.Não sou esquizofrênico,disso tenha certeza,o caso é mesmo difícil de explicar,pra entender tente ter a fantasia de uma criança,sim,como ela.Tão impossível é,que até de mim que sou sua única companhia,ela zomba às vezes.Prova disso é que uma vez dessas em que andávamos na rua,enquanto ela falava e segurava minha mão esquerda,passava uma senhora um pouco cheia de muita carne,ela deixou o assunto em que estávamos e simplesmente gritou:
- Como é gorda !!!
Constrangido mas achando engraçado eu disse a ela que não se deve nunca zombar dos gordos,a senhora por sua vez,me olhou,fechou a face e seguiu,só aí me dei conta de quê só eu havia escutado a tal declaração infantil,me virei e ela já não estava lá.Há ainda situações em que ela se põe a tirar o dia pra me chatear,fica a conversar comigo do meu lado direito mesmo sabendo que não posso vê-la,e faz perguntas sobre isso,me chama de esquisito e eu retruco dizendo que esquisita é ela,que aparece sempre com o mesmo vestido e a mesma cara,ela logicamente não gosta,e por isso,me sacaneia mais ainda,fica tocando a minha retina,eu,sem sentir dor,sinto apenas um certo nervoso.Fala enquanto eu tô conversando com alguém,e por mais que eu a ignore,não consigo sequer me concentrar no que a pessoa diz.E fico ali,feito um maluco balançando a cabeça em sinal de positivo e fechando meu olho esquerdo pra não enxergá-la.Mas mesmo com todas as suas manias que às vezes me irritam profundamente,ela é quem sempre está ali pra discutir as minhas ou nossas teorias,pra papo furado de vez enquando,pra somente observar o céu,e mesmo em lugares públicos,pra estar junto comigo,só pra estar,sem nada dizer.Acho que ela seria o que alguns chamam de alma gêmea,pois tudo que diz,eu acho graça e entendo,vice-e-versa com recíproca verdadeira e tudo mais.

Eu já me peguei impressionado com a tal pessoinha,foi exatamente na vez em que pássavamos em frente à casa de uma certa moça,próxima a rua onde reside um velho amigo.A casa possuía um muro desses que protegem a propriedade mas não tiram a visão,entende?! No seu interior tinha um grande jardim,e eu comentei descompromissado:
- Olha só,isso é que é um jardim na responsa,é flor q não acaba !
- Também quero ver,me levanta,disse ela.
Já que a parte do muro,que permitia a visão interior,era composta por uma grade que começava na metade,ela,por seu pouco tamanho,não conseguia ver o tal jardim.eu a levantei e ela começou a observar.
- Caramba,ela disse já impressionada.
- Já tá bom?! cê tá pesadinha,eu disse.
- Espera,é muita flor!!!
- Era só o q me faltava,agora vô ter q ficar aqui esperando você olhar todas essas flores?!

Com o braço cansado,decidi colocá-la na base da grade,fazendo ela mesma,segurar-se com as mãos na grade.Era fascinante o seu olhar estático para aquelas flores,nunca tinha a visto assim,tão tranquilizada,tão calma,parecia mesmo observar todas as flores,uma por uma.Aí eu pensei até em tirar uma foto pra colocar no blog com uma mensagem embaixo,mas logo lembrei que só EU podia ver aquela linda cena,castigo ou presente,era maravilhoso.
Depois de uns seis minutos ali,a moça,dona da casa e do jardim,veio ver o que eu queria,eu disse pra minha menina:
- Vamo logo,a mulher tá vindo aqui !

- Deixa ela vir,e peça algumas dessas flores pra mim,disse toda tranquilona.
Sem a mínima vontade de fazer aquilo,eu falei que voltaríamos depois e eu pediria quantas flores ela quisesse,mas agora precisava ir pois já estava atrasado.E adiantou?!
A moça se aproximou,abriu o portão,se dirigiu a mim e disse:

- Boa tarde,gostou do jardim?!
Eu,querendo dizer:
- Nem tanto moça,tô plantado aqui por causa duma pessoinha invisível pra senhora e q eu vejo com um olho só.
Acabei dizendo:
- Boa tarde,sim,gostei muito,meu pai gosta de plantas,tem um jardim também.(bem porcaria comparado a esse aqui,eu pensei)
- Quer levar algumas flores?
- Não,não.(nesse instante a menina me balançava o braço,dizendo para eu aceitar o convite)

- E algumas mudas,para o seu pai? acho que ele gostaria,ela insistia.
Já não entendia a senhora,parecia querer se livrar das plantas.
- Não senhora,nem tem como,tô indo pra casa dum amigo meu,e num dá pra levar agora não.
- Ah,entendo,ela falou já desistindo.

Olhei pro lado disfarçadamente e a menina já não estava lá,pensei ter desaparecido por estar aborrecida ou só triste.Me despedi da moça e continuei andando,a menina nada de aparecer,já tava ficando triste com aquilo e pensava em voltar e pegar uma flor,eu dizia:
- Poxa,me desculpa mesmo,dá uma aparecida aê !
e nada...
- Pô,tú sabe q sô sempre eu q me dô mal nessas situações...
e nada...
- Ninguém pode te ver,aê vão ficar falando: "olha aquele marmanjo com a florzinha na mão"
Aí,eu escuto o portão da senhora bater,eu me viro e,nada,tudo que vejo é uma rua vazia continuo andando e faço a curva numa esquina.Escuto um "oooi" daqueles que são tipo "tô aqui",era ela.Pergunto se ela me desculpa,ela diz:

- O quê,pelo quê?
- Você tava aqui comigo desde quando saí d lá?
- Não,tava pegando a nossa flor,ela diz sacando de trás do vestido uma tulipa.

- Onde e como você arranjou essa flor??
Ela me contou que quando percebeu que eu não pegaria a flor,entrou e surrupiou a tulipa,eu disse que isso era furto e ela disse rindo:

- Só peguei o convite que ela te deu emprestado !
Danada,ficou feliz o dia inteiro,com aquela tulipa que ainda hoje carrega consigo,aquela é uma flor que me deixa impressionado,pois,assim como ela,a danada num envelhece,num murcha,num faz nada.
Lembro-me como se fosse ontem,da manhã em que ela apareceu.
Eu acordava como sempre,numa preguiça tamanha,tava nesses dias em que você acha a cama o melhor lugar do mundo e que se sair,o mundo acabará.Então no meu ritual pra acordar,me espreguiço pra lá,espreguiço pra cá,dou aquela aberta de leve com o olho esquerdo em direção a janela pra ver se o sol tá forte,viro pro outro lado e:
- CACETE !!! (desculpe a expressão,mas foi o q houve,queria ver se fosse contigo)
Imediatamente eu me jogo e caio ao mesmo tempo pro lado inverso ao daquela figura do vestido vermelho,esfrego os olhos,abro-os de novo,e ela tá lá,abro só o direito-sumiu,esquerdo-tá lá (por esse esqueminha dá pra perceber como descobri qual é o olho mágico) ,nas primeiras horas eu não sabia se contava pra alguém ou não,decidi pelo não,e,aos poucos ela começou a falar e começamos a conversar,e mesmo ela não me explicando de onde veio ou quem era,eu aprendi a conviver com ela,e vivemos momentos maravilhosos como os citados lá em cima.[...]


todos os dias,vários outros momentos me levam a acreditar que ela não é só uma espécie de amiga imaginária,e se for por esse caminho,gostaria de pensar então que ela é,na verdade,meu anjo da guarda,é,sim.

Ela é meu anjo do vestido vermelho,meio curto,meio velho,que aos seus olhos é invisível e eu só consigo ver com um olho só,o olho mágico.

Allan Bonfim.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Entre as ondas (fúria)

Sentava no meio de sua varanda,parava por um tempo e observava.Era a mesma varanda,a mesma casa e até a mesma paisagem,vizinhança,tudo,era tudo sempre igual,mas sua observação não era referente às pessoas ou à casa ou até sua própria varanda,observava o vento,o clima,via o céu.E só quando certificava-se que tudo corria bem,pegava o violão que junto trouxera pra varanda e começava a tocar,e como usava bem aquelas cordas,jogava nelas sentimentos profundos,e gradativamente envolvidas na sintonia com seus dedos,as vibrações lhe tomavam os braços,as pernas,e logo,todo o corpo tomado estava,tais vibrações não se continham fácil assim,então logo estavam espalhadas pela varanda,e por consequência tomavam a casa e faziam dançar os raios de sol que invadiam as cortinas.Além da casa,sentia tomar o ar,o som o movia e respectivamente movia as árvores,plantas menores e suas flores. Decidiu que poderia mostrar aquele jogo de som para o resto da gente.
Foi para a praça com sua máquina de vida e harmonia,o violão,estavam todos ali,e então ele começa.Como de costume observa e enfim,começa a dedilhar suavemente as cordas,as vibrações vinham e logo tomavam o corpo,tomavam os bancos da praça,a água do chafariz,árvores,flores...mas espere,elas nem parecem ouvir a melodia,sim,as pessoas passavam e ignoravam aquela manifestação harmônica e maravilhosa dos sons.Revoltado,ele agora castigava as cordas e o vento o acompanhava,levando flores ao chão,fazendo voar chapéis,mas mesmo assim,elas não notavam,e agora corriam,corriam,corriam para suas casas ou trabalho.
- Parece que vai cair um pé d'água,diz a senhora da barraca.


- Não percebem,são tão tolos,é só a fúria de um violão invocado,ele pensa.
Se retira da praça e para casa retorna,se diz insultado por toda a gente.No dia seguinte,à beira mar,lá está,já observou,já dedilhou,agora ele toca,finalmente toca,toca para a imensidão azul com tons de verde e sustenido,seu corpo vibra e leva a areia,as ondas fazem contrapartida ao seu som,mas com muita harmonia,respondem as notas com bruscas quebradas de cara na areia,cada vez mais fortes,como uivos,gritos e aplausos de uma platéia fiel,aquela que vai sempre estar lá,que tenta afogar o seu ídolo,mas não consegue.A maré aumenta,como se pudesse ou quisesse abraçar o cancioneiro,ele não recua,e ao contrário,adentra o mar,de pé,pé d'agua,de violão em punho ele agora se sente em casa,larga o violão que rapidamente é sequestrado para alto mar,e se perde no meio dos grandes aplausos,ele vai perdendo o contato com a superfície e fica maravilhado com o tom das ondas dentro d'água,a fúria que pensava ser do violão,era sua,era sua,e morre ali com ele na imensidão azul.

Allan bonfim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O grande DIA (o grito!)

Eu tenho uma proposta,vamos promover o contato direto,sair de nossas casas pra se encontrar.Vamos fazer valer nossa inteligência,fazer algo de bom e interessante,aproveitaremos então e apresentaremos propostas cara a cara ao invés de "twitar",retiraremos as fotos do Orkut e colocaremos sobre a mesa,vamos tê-las nas mãos,guardá-las em uma gaveta ou deixar que envelheçam em quadros ou molduras,diremos também os nossos depoimentos por meio da voz.Acho que devemos retirar as músicas do Myspace e cantá-las em praça pública,transformaremos os emails em cartas e lotaremos os Correios,aos nossos textos de Blog,nos resta recitar ou declamar (seja onde for,sendo válido até em super-mercados).
É tempo de espalhar idéias,deixemos de "taggedear" e partamos pra paquera corpo a corpo,e vamos também ligar para os amigos,marcar em algum lugar e deixar o Messenger de lado,criaremos então asas,e conversaremos com os chegados mais distantes,sem precisar do Skype.

Ainda sim,tenho dúvidas se nesse dia maravilhoso,ao notar tanta beleza,haverá alguém com tamanha frieza e com uma máquina fotográfica na mão,tirando fotos pro orkut,claro[...] e ao acabar do dia,se descobrirá alguém que fez um vídeo e postou no Youtube,e fará muito sucesso,terá muitos comentários,aí os "twiteiros" de todo o mundo comentarão e marcarão coisa semelhante,os blogueiros acharão que tal evento merece no mínimo um texto e se dirigirão as pressas para os celulares,notebooks ou Pc's.Haverá ainda quem transforme isso em música e fará sucesso no Myspace.Indignado com o esquecimento do motivo e da beleza de tal dia,eu farei um texto em protesto e provavelmente também esquecerei.Depois de tudo isso que me ocorre,tenho dúvidas também se esse será um dia especial e bonito,ou se será o dia em que as máquinas provarão o quanto somos seus "escravos".

Allan Bonfim.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Eu sou um cara comum (Já fim)

Não espere um aperto inesperado contra a parede,um beijo roubado,que eu desmanche seu penteado em loucos agarros,que eu insista a toda hora pra te ter,que eu faça mil loucuras pra te ganhar.Não,eu não sou assim,não gosto de pressão,nem de pressionar(e às vezes é preciso) eu prefiro o diálogo,a técnica simples da compreensão,se você me entende,me beija ou me estapeia,sem nenhum meio termo,a simplicidade objetiva pode ser uma vantagem nesse tipo de questão,ah,não espere nenhum arranhão,nem me cativou tanto assim,e se um dia conseguir,deixa q'eu te aviso.
Moça,não te amo e admito,pois aqui não sô nem um pouco cínico,se tem medo se abra comigo,por mim se for um não,mau nenhum ser só amigo,e como seria agradável ficar contigo,te abraçar e dar abrigo,te ter ali comigo,mas se é feliz assim e eu também,que mau aí tem da gente não se dar bem desse "jeito".Não tenho mais tempo pra esperar,nem ficar na base do "jogo",se der um dia por lá eu te encontro,boa sorte,sorte no amor e seja o que for...

Allan Bonfim

sábado, 24 de outubro de 2009

Conta outra (nem mendigo,nem escritor)

Parei naquela rua,parecia perfeita,um bar à direita com poucas mesas de fora,mas uma animação no balcão interior,já no outro,que se localizava à esquerda,as pessoas lotavam as mesas que,por sua vez,lotavam a calçada,e como elas conversavam felizes,gargalhavam e falavam alto e nem percebiam que falavam alto,estavam todos em uma conversa de algum tipo,umas sérias,outras de papo furado,o som ambiente era um samba que servia só de fundo pois ninguém o estava escutando,em algumas casas ao lado do bar da direita,na calçada,algumas pessoas(senhoras de idade,na sua maioria)conversavam sobre as novelas,seus parentes ou qualquer coisa viva que passasse por ali e inspirasse algum comentário,já do lado esquerdo,não parecia haver ninguém nas poucas casas que haviam,a não ser um senhor que regava suas plantas(achei estranho ele fazer aquilo de noite),observei uma pequena farmácia vazia,devia ter um ou dois funcionários desanimados com o movimento(ou com o emprego,vai saber).A rua não era nada especial,não possuía,nem levava a nenhum ponto comercial ou turístico importante,é o tipo de rua pequena e comum,daquelas que começam em praças e terminam em outras ruas que podem levar a uma avenida ou não.
Depois de passar um tempo na tal rua,já não percebia as vozes,nem a música da junkebox do bar[...]um vento meia-boca passou pra refrescar o pessoal,esquisito,parece perfeita mesmo,quase impecável,tem residências,tem uma farmácia,possui dois bares,eu torço pelo flamengo,eu me sento e começo a escrever.

Allan Bonfim

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

É ruiva (a cor do pecado)

É ruiva a cor dessa menina que já é mulher,que passa andando diferente de todas que já vi,tem um jeito todo seu,entende? suponho que não,pois essa moça não foi feita pra se entender,ela só se faz amar,faz querer também,e quando não quer,faz sofrer,mas isso de não querer acontece quase nunca,ela é de bem com a lua e comigo então,sempre quer[...]
É ruiva sua indignação quando despeja em meus ouvidos todas as coisas que lhe incomoda,me revela seus segredos mais particulares. (acho que vê confiança na minha testa)

É ruiva no seu prazer,quando a sós comigo se despe sem pena mostrando a beleza da estrada que se pode definir seu corpo,e não me canso de explorar suas curvas mais perigosas sem medo,às vezes até de olhos fechados,não preciso da minha visão,essa rota se sente.Te parto ao meio em prazer e amor,você se revela como uma aparição de silhueta ruiva,é mulher sim,e eu ali me sinto um completo menino - e que menino de sorte,eu penso - é como ter um super-parque de diversões no próprio quintal,só que no meu caso o brinquedo é um só,único,tem sua cor ruiva.Ali,além de despejar toda a alegria,também despejo tristezas e dúvidas,esse nosso momento é também como uma válvula de escape para todos os meus e os momentos dela,seja lá o que for.
Nos fundimos numa coisa só,se completa ali tristeza e alegria,amor e ódio,duras dúvidas e plenas certezas,tudo fruto da gente,as peles se encontram e esse atrito que fazem esquenta o coração,esfria a mente,se não controlado pode causar um grande incêndio,e às vezes,se deixa o fogo livre,não por acidente as chamas nos envolvem e queimam,consomem,ardem,e finalmente deixam marcas que lembram como as mesmas fazem bem,porque as cinzas que sobram aqui,são de pura satisfação e observando bem,dá pra ver que na realidade a cor dessa "fogueira",sim,é ruiva.
Ruiva é a cor da dúvida das almas que,como nas letras de baleiro,ficam sem saber como entram nessa história,mas coitadas,não são merecedoras não.Este momento é exclusivamente reservado aos corpos como abono por tudo que suportam[...]e rapidamente te invado,quase que te virando do avesso - e às vezes me pergunto:até onde vais? - pois teu limite é variável-infinito,nunca se sabe e prevejo nunca se descobrir.As horas passam,e nós rimos das pobres,demonstrando sua total incompetência se repetem,não são como nós,não se inventam nem se contorcem,não se comem como nós[...]Enfim,preciso ir,ela também,ambos voltaremos às respectivas vidas cada dia menores de emoções e sentidos próprios,mas alertas aos alheios,pois a cada vez que nos vemos,nos roubamos,um do outro,lembranças e atos que fazem toda a diferença quando ela e eu nos reencontramos - como em todo relacionamento - tenho ainda fortes motivos pra pensar que ficaremos incompletos daqui pra frente,de repente resolveu levar a vida com o sujeito,não me faço triste por isso,o motivo é outro,pois de todas as partes,a que mais eu desejava levar comigo percebo agora que contigo ficou,lá se encontra guardada toda a sua essência,é sem dúvida a melhor parte,aquela,a ruiva.
Allan Bonfim.

sábado, 10 de outubro de 2009

Não,ninguém sabe

Quem sabe de mim,de onde falo?
Quem sabe como começar um texto?
Quem sabe se não é assim?
Quem sabe eu crio um plano pra salvar o mundo? (mas salvar de quê?)
Quem sabe eu não te tiro do teu mundo e te atiro no meu?
Quem sabe o seu seja melhor,e como deve ser levar um tiro?

Quem sabe se o céu é realmente o limite?
Quem sabe se eu te amo ou só quero "brincadeira"?
Quem sabe o que será da vida daqui pra frente?
Quem sabe o que você pensa quando olha pra mim? (e eu acho que sei)
Quem sabe um dia eu te entrego tudo que já vi por aí numa linda caixa azul?

Quem sabe eu faça você rir?
Quem sabe porque se coloca fogo em índios?
Quem sabe a lua é um grande E.T. e nos observa sem ninguém perceber?

Quem sabe porque ela é tão bonita?
Quem sabe isso aqui não vira música?
Quem sabe essa chuva não para daqui a pouco?
Quem sabe eu não visito teu namorado dizendo que te quero emprestada?
Quem sabe eu só queira levar porrada?

Quem sabe quantas linhas isso vai dar?
Quem sabe de repente você goste?
Quem sabe eu esteja mentindo?
Quem sabe você esteja mentindo?
Quem sabe o email de Deus?

Quem sabe o motivo de tudo isso?
Quem sabe os haitianos e havaianos pediram toda aquela água?

Quem sabe a morte seja engraçada lá do "outro lado"?
Quem sabe a corrupção acabe? (ha,e quem sabe existam duendes também?)
Quem sabe por onde anda a Beatriz?
Quem sabe a gente não marca com os velhos amigos?

Quem sabe o nome dessa música q'eu tô ouvindo?
Quem sabe um dia a gente caminha de mãos dadas?
Quem sabe porque eu gosto tanto de Coca-Cola e de você agora?
Quem sabe quando eu vô ter meu filho,fazer meu filme e escrever meu livro?
Quem sabe eu morra agora? (o texto já tá salvo em rascunho)
Quem sabe se o Papa não usa calcinha?
Quem sabe onde deixei minhas chaves?
Quem sabe como terminar um texto?
Quem sabe eu vá dormir agora?
Quem sabe se é assim ou assado?
Quem sabe porque eu prefiro isso frito?
Quem sabe amanhã ninguém mais me veja?
Quem sabe quem realmente sabe?

Quem sabe como é que estão as coisas,como é que são as coisas?
Quem sabe isso tudo não seja eu visto por você?
Quem sabe? tchau !!!

Allan bonfim

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ama outra,minha amada (27/09/09)

Nesse dia tão especial pra você,queria te falar de tudo,tudo o que me fez chegar até essas desesperadas linhas,queria falar das conversas tantas,essas loucas conversas que foram formulando um amor desse tipo.No início era "azaração" ou coisa igual,mas daí,pelo pouco que fui sabendo da sua história crescia algo mais raro e forte,era agora consistente,sabe? Me parecia pura atração e não deixava de ser,como em todos os contos envolvendo um amor platônico a dama possuía um namorado,ha,penei triste sob este conto fictício[...]a bela dama agora,se mostrava também arisca,não se deixava levar por qualquer elogio,parecia ter medo,pura bobagem.Me envolve com simplicidade junto com uma vaidade implícita,como pode existir um ser tão contraditório,me corrói a carne sua maldade,mas nunca se entende,ali está uma face de anjo[...]o tempo é brutal,a dama agora,anda com outras damas,diz-me sentir poesia nas práticas inversas,me deslacera o peito,me desaba em tristeza e raiva,raiva das que a cercam,a inveja também se faz presente,saber que está longe de mim e perto dessas...maldita és,mas amada é mais.
Em palavras simples e resumidas o que tenho pra escrever é sublime,mas ao mesmo tempo sórdido,faz parte do desabafo de uma mente louca,tomada pelo amor,amor que reservo a outras pessoas enquanto não te tenho,mas saiba que mesmo me comprometendo,juro-te aqui e sempre que tudo q'eu sempre disse,cada palavra foi sincera na raiz e ao parabenizar-te digo também:
- Se não demorar muito,posso te esperar por toda a minha vida ! (autoria desconhecida,no momento) ,te amo até quando?
Allan Bonfim.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Num dia sem ela,com a loucura se dança

Tarde cinza essa que caiu,chega de manso e devagar vai tomando todo o céu,toma tudo sem pedir nem licença,deixa um completo cinza até onde a vista alcança e tira a felicidade carioca[...]é o grande e caloroso(e quem diria?...medroso também),ao ver o cinza num estante se escondeu,amarelo é a cor que enxergo nele,mas agora nem mais[...]se encontra lá atrás da cortina,como sem vontade e força própria.Mal sabe que a ausência dos teus raios deixa tudo aqui em baixo mais triste,em tom menor,numa frieza total,e aí,nestas horas,se perde o controle,tempo frio dá espaço a pensamentos cinzas,uma ância triste,penso nela,sinto sua falta,e já não adiantam as mensagens,ligações e tantos outros meios de contato à distância qualquer,bate o desespero,a loucura se aproveita e põe-se a dançar comigo.
[...]Livros ao chão,vasos quebrados,e pobres dos copos tão frágeis e sem opção,se deixam levar por minha mão até o chão ou a parede,o que for mais perto,o que fizer mais barulho,tudo pra que ela possa ouvir,mas...que triste ação ridícula !!! ela não escuta,e agora uma bagunça totalmente cinza espera pra ser arrumada[...]no chão,de cabelos desfeitos,lágrimas se misturaram com o suor,não pisco,meu rosto paralisado com a face da loucura pede só por vê-la o mais rápido possível.
- IDIOTA ! (grito eu,olhando ao redor)

- HOJE É TERÇA ! (em ar feliz)
Me disse anteontem enquanto falávamos que chegaria na quinta-feira à tarde,me levanto e passo por toda a bagunça como ignorando e adiando sua imediata limpeza,por já ser noite,acendo as luzes(ha,quem precisa do sol?),e me ponho a escrever,mas não sem antes pesquisar a previsão do tempo pra amanhã,só amanhã,caso nublado não quero estar em casa de novo,sei que na quinta o tempo será bom,mesmo não havendo sol,terei a quem abraçar no frio e se o sol se fizer presente,abraçado a ela a certeza é de que não sentirei calor.
[...]nosso amor deixa o corpo dormente e a cabeça fresca...
Allan Bonfim.

domingo, 20 de setembro de 2009

Dancing Days

[...] Como marcado,às oito em ponto estavam todos lá,eram jovens senhoras e senhores em esperança de uma vida curta,uma bela noite,e dores ao menos sustentáveis na manhã seguinte[...]bem,a banda começa a tocar as serestas do tempo dàquela juventude já passada por demais,pelo menos fisicamente,digo isso,pois à minha vista eles inda lembram os passos e executam com tamanha destreza que confesso,chegam a me impressionar.

Muitos acham que a idade prejudica-os na performance artística,eu já não concordo,penso que,a lentidão que lhes foi dada com o tempo torna mais alegre a dança,eu vos olho e vejo seus rostos,estão todos sorrindo,suas faces enrugadas parecem suavizar a expressão e torná-la mais emocionante a quem vê,o aparente esforço que fazem a certo ponto da dança,as mãos trêmulas já não mantidas com firmeza pelo cansaço nos poucos músculos que lhes restam,tudo isso forma um conjunto clássico,como se fosse um balé em câmera lenta,e que graça fazem aquelas figuras senis que vão de cá para lá,parecem flutuar no salão e acho q flutuam,e sabem disso,devem nesse momento lembrar da sua juventude,os tais "embalos de sábado à noite" e tudo mais,suas paixões de festas,amigos antigos,sua vida na juventude em geral,e isso é o que os faz flutuar,todas as suas lembranças velhas de um tempo que não volta mais...ahh,como devia ser bom.

Allan Bonfim.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Egoísta (Segredo de Estado)

Ao te ver assim de perto,aqui na minha frente,ao sentir a tua respiração,eu fico pensando meu bem.Vida essa esquisita que te trouxe aqui pra mim,me coloca tocando teus lábios e consequentemente você,mas sinto que mesmo aqui,mesmo assim,você não é minha,e quando se coloca nos meus braços e como criança na mãe,se joga em mim,inda não é minha...quando se encaixa no meu colo e aperta a minha mão fazendo "telepatia sentimental",droga,não te sinto minha não.
É,às vezes sou um pouco egoísta e gosto de te ter somente minha,não me importo com teus amigos ou com tua família eles são parte pequena nessa nossa relação,acho que me encanta o teu mistério e a tua "santa safadeza",me sinto até conformado com teu companheiro,pois respeito a lógica ordem de chegada,ha,desse jeito me obriga também a formar um certo mistério,e confesso que gosto,na verdade eu adoro[...]
E quando me perguntam quem é você,por onde você anda,com quem você vive e eu dô uma risada e digo que não sei,ali,exatamente ali é que te sinto minha,guardada dentro de minha mente,dentro do coração e na ponta dos meus lábios,vive aqui segura como um segredo de Estado[...]

...aí sim,você é minha,só minha.
Allan Bonfim.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Entregue a você

O amor que eu tinha dúvidas se existia, alastrou se por todo o meu interior

e agora não posso mais viver sem o prazer de olhar nos teus olhos ,

sem o calor do teu corpo que me faz delirar ,

e sem a imensa de luz do seu olhar .

a vontade de tocar o teu corpo já não é a mesma

agora sei que necessito de você ao meu lado

e a certeza paira no ar,estou completamente entregue a você

e essa chama ardente nunca irá apagar .

Sarah Silva.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009


Uma voz meio roca acompanhada de um violão,uma clareza traduzida com o seu jeito e sua personalidade simples,são características que definem exatamente essa nova "eis que surge" da música brasileira que vai de Veloso a Kelly Key de um modo deslumbrante além de suas próprias composições,ela veio pra ficar.

Maria Gadú,eu e todo amante da boa música,indicamos !

sábado, 22 de agosto de 2009

Alô Sociedade,sou poeta (BELA ESPÉCIE)

Já é noite,e eu,depois de ter lido alguns artigos na internet,depois te ter falado com alguns amigos e conversado com a Mila ao telefone,me vejo puxado ao meu blog para dizer...há algo a esclarecer,passei um recado a uma amiga,perguntei-lhe se não queria fazer uma certa parceria,ela aceitou...
Quero falar dos adolescentes poetas,dos jovens poetas adolescentes.

Esses que usam palavras melosas e antigas(que besteira,as palavras são as mesmas,só não as usam como antes),chamam suas namoradas de "meu amor",dão flores,choram sem vergonha nenhuma(quando vale à pena),dedicam canções,são compreensivos a toda e qualquer idéia,adoram a chuva e todas as fases da natureza(encontram dentro dela um motivo poético,uma razão para os acontecimentos pequenos e simples aos quais ninguém repara),lêem livros de poesias por puro gosto,que adoram discutir sobre o capitalismo,a política e a complexidade do ser humano mas ao mesmo tempo acham isso muito feio e uma perda de tempo,preferem dar mais importância ao simples,o que não envolve dinheiro e muita complexidade,são românticos em sua maioria,pois o amor não tem preço(vi isso em um comercial de uma certa marca de cartão de crédito,hehehe),venho falar desses que ainda acreditam em uma epifania mundial.

Esses "poetas" por assim dizer,oras,são gente também e pra ser mais específica,também são adolescentes,e,como outro qualquer adolescente na intimidade com os seus "amores" também praticam carinhos sórdidos e mau vistos pela "opinião pública",eles já se masturbaram ou se masturbam,já assistiram pornôs,já experimentaram álcool(alguns por curiosidade,drogas e outras coisas mais...),e quantos desses não transaram com uma de suas namoradas de uma forma nada romântica ou poética,ha.
Não quero colocar os tais jovens poetas como hipócritas(nunca ofenderia o amigo,claro),mas eles não estão a salvo da própria humanidade,não são santos,declaro e afirmo com convicção.Eles também têm seus momentos de puro "besteirol",mas ao contrário dos demais mantêm sua plenitude romântica,humilde e intelectual(e aqui pra nós,arrebatam como ninguém suas namoradas com poemas em declarações e até flores).Ah,em sua maioria são quase fanáticos por futebol(alguma coincidência?!),tem momentos de mudanças de humor repentinas e certas crises de melancolia.Mas o que que realmente os diferencia daqueles conhecidos como "amantes",caracterizados muitas vezes por suas "pegadas" e belos rostos é a facilidade e a habilidade com que expressam na hora certa,sentimentos,palavras,como se desculpam,o encanto está na forma como realmente amam,e por isso,às vezes fazem sofrer também suas companheiras,sim,há jovens poetas safados,como em toda classe na vida,se podemos chamar de classe,no meu ver,estes poetas são de outra espécie.apenas nasceram no lugar errado,ou não,talvez vieram a nós como um alerta ou como alguma lição que ainda não aprendemos.


E estes raros representantes do amor e do romantismo continuarão fazendo seus versos,mandando suas flores,chamando de "amores" seus AMORES.continuaram a chamar músicas de canções,acreditarão sempre e mais em seus "corações" e continuarão a achar no nascer e no pôr do sol,motivos para seus poemas,como sei de tudo isso?

Sou adolescente.
Luciana Pravi e Allan Bonfim.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Biscoitos Montreal

sentada ali estava a criança,com seu saco de biscoito na mão,ela não parecia esperar nada da vida,não parecia ter nenhuma ambição,a não ser correr atrás da bola com seus amiguinhos e das pipas nas tardes de sol,comer o bolo quentinho de sua avó,correr na pracinha próxima a sua casa,visitar o zoológico no domingo com seus pais,rolar na grama,pular o muro do vizinho(só pra pular),ir à praia com seus tios e primos e gastar toda a mesada nos fantasiosos jogos do fliperama da padaria próxima dali,parecia só desejar isso,

e era somente o que desejava.

Allan Bonfim.

sábado, 15 de agosto de 2009

Mãe... (Coisas Belas)

Um dia quente esse que passou, já tarde da noite eu me deito e logo pego no sono e a partir daí,eu entro no mundo paralelo ao real,um mundo que talvez seja o real.Eu sonho com uma senhora,mas não sei,eu não posso...não consigo ver seu rosto,eu tenho a certeza que a conheço e a abraço bem forte,ela não nega o abraço e me acolhe bem forte em seu colo.Incomparável alegria e satisfação me traduzem nesse momento,e me sinto como uma criança que ganha seu brinquedo ou que corre livre com os bracinhos abertos na chuva,é a alegria de estar completo,não por uma alma-gêmea,é algo maior,que já faz parte de você há muito tempo e posso jurar que reconheceria esse perfume de longe.
Ela se senta ao meu lado,pega o livro que estou lendo,ela não diz uma palavra mas posso sentir sua voz claramente.Então eu a olho e feliz descubro que sim,era o rosto q'eu desejava ver,entro em pleno estado de graça olhando aquela face que há tanto não via...
- é você.(é tudo que eu consigo dizer)

Ela continua a olhar o tal livro e eu,como pudesse me nutrir da imagem de seu rosto,continuo a observar,sorrindo,sorrindo...finalmente me encara,me puxa junto ao seu colo e me faz carinhos e afagos,aqueles que só ela sempre soube fazer.
Uma inevitável lágrima escorre ao meu rosto,eu sei que vai ser difícil,tê-la comigo de novo mas mesmo assim me rendo aos seus carinhos e durmo tranquilo no colo dessa senhora que me pôs aqui,cuidou de mim...ainda sinto ela dizer:
- como cresceu seu cabelo...eu sorrio em pensamento(ela nunca gostou dos meus cabelos grandes) Eu apago,tudo apaga e logo acordo,dessa vez no mundo real,olho ao lado e ela não está, já sabia,pois as melhores coisas,as mais profundas e que sempre nos acompanham nunca se deixam a vista no mundo real,elas simplesmente estão lá,ou aqui do meu lado.

A você que partiu tão cedo,mal ensinou-me a viver,saiba que nos momentos de mais pura felicidade,de sucesso e de alegria,eu sempre terei um pouco em mim de você, Dona Andrea.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Camila

Venho dizer mais em desabafo do que em apelo,por todo esse tempo que passei e espero ainda passar com ela,que encontrei naquela festa,dublando meio sem jeito àquela música,com aquele rosto lindo.
- oi,o que faz aqui sozinha?
- nada,só tô aqui.
- quer companhia?

- claro,porque não.
Mesmo achando que aquela permissão se deu mais pelo nível de álcool do que por encantamento ou simpatia,eu investi no que parecia me encaminhar a mais uma ficada de fim de festa,(comparada a outras tantas,era uma recompensa e tanto...)eu só não imaginava que,pra minha sorte,a história com a minha cinderela bêbada não terminaria com aquela festa.Começamos a trocar palavras por "msn",depois por telefone e tivemos enfim nossa segunda festa,ali já éramos como dois namorados.Então começamos a sair nos fins de semana e dar aquela fugida no meio também,foram tantos lugares e momentos,mas nenhum se compara ao pôr do sol no leme.

A luz vai abaixando seu tom amarelo aos poucos e como pura magia,o flash do sol atravessando o horizonte anuncia que o mesmo já se vai,e imediatamente um manto anil cai sobre o Rio mostrando milhares de pontos luminosos no céu,(na verdade eram estrelas,mas queria deixar mais poético)o vento gelado do mar sopra na direção da gente,ela me pede que a abrace,eu o faço e sussurro em seu ouvido:
- eu te amo
- quê?(pergunta,dengosa,adora ouvir declarações)
- disse que te amo,minha bela...surdinha.
- também te amo,meu magrelinho.
Sorrimos,nos levantamos da areia e seguimos pelo calçadão,cruzando com pessoas que passavam por nós,e por mais impressionante que seja,nos olhavam,como quem diz:
- lá se vão dois apaixonados...
O tempo passou e juntos a gente fez a "coisa" aumentar,ela tomou grande proporção,talvez nem caiba mais no "coração",não significa que acabou ou esgotou-se,pode estar numa nova fase,depende de mim,depende dela,depende nada...

EU TE AMO.