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...uma criatura magrela e um ser que deixa a desejar no quesito beleza; ao me ver tenho certeza que não darias nada por mim, mas ao levar um papo tenho certeza que pelo menos um dinheiro pro café,você vai dar !

sexta-feira, 4 de março de 2016

Pela vida

Encontrei a página aberta
Não página de folha,página de tela
Confusão engraçada essa 
E coisa assim,só a tecnologia traz
Olhei em cada letra,em cada linha
Não tem coisa nova,só antiga
Mas saudosismo nunca é demais
Em cada verso,em cada rima
Parece esperta essa menina
Aí pergunto,na última linha:
Por onde andarás, a poeta que aqui jaz?

Allan Bonfim.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Astrogilda

Tudo estava bem, observava a janela do alto apartamento na Tijuca, quando sentiu um desconforto.
Uma azia desconcertante lhe embrulhou o estômago, e precedeu uma abrupta falta de ar, ela entendeu no auge de sua experiência e do conhecimento adquirido, que era chegada sua hora.Jogou-se ao chão, sem cerimônia, na esperança de que alguém talvez lhe ouvisse e lhe socorresse, tudo em vão.
Aquela altura da vida, dividia o apartamento com uma advogada de quarenta e tantos, solteira, sem filhos e que dormia no cômodo ao lado, bem tranquila e enrolada sob um Edredom, naquela madrugada fria de uma quinta-feira.
Já agonizando de costas, lembrou de sua vida que considerava como boa, afinal, não existiu coisa que sonhasse que não tivesse ido atrás, por conta disso, já havia perdido a conta do número de casas que morou e, tampouco sabia dizer quantas sarjetas enfrentou enquanto fugia da chuva, perambulando pelas ruas.Pensou em sua mãe, da qual foi separada logo cedo, pensou em seus tantos filhos, alguns com família, alguns sós e outros mortos, todos espalhados pelo mundo.Gostava muito da vida, insistiria enquanto houvesse forma de evitar perdê-la, foi essa vontade que fortaleceu suas pernas frágeis e a fez rastejar de costas até o corredor, poderia mas não foi sequer suficiente para chegar a porta de sua companheira de apartamento, morreu ali no corredor, dona de uma vida longa e plena, totalmente refém de seus prazeres e vontades.
De manhã, quando acordou, ao ver o corpo no meio do corredor, a advogada gritou,estava em choque, em pânico, não podia acreditar no que via, não conseguiu mexer um membro sequer. Berrou a empregada que, aparentemente, estava mais acostumada a este tipo de tragédia, bem mais acostumada, pegou um algodão na armário do banheiro e, como se não fosse nada, se livrou do corpo da barata.

Allan Bonfim.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Boa sorte

Bom é saber que você seguiu,olhou,gostou,conheceu,assustou,amou,pariu,chorou,criou,enfim,seguiu.

Allan Bonfim.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Nós "dois pra lá"

A nossa dança é diferente de tudo que já se dançou,porque a nossa música nunca foi tocada mas a gente já escutou.
Os nossos passos são inéditos,nós nunca os executamos, fazemos eternos "nós" trançando nossos pés, nos esquentamos quando congelamos o olhar um no outro, e por enquanto, permanecemos unidos no "dois pra lá,dois pra cá".

Allan Bonfim.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Verdades

Não fosse eu assim menino,não fosse bem tratado, não fosse tão mimado, eu seria João.
Não fosse desesperado, seria mais correto, muito mais esperto, teria dado certo, seria Gabriel.
Fosse menos afobado, e muito menos crítico, respeitasse o ciclo e bancasse o cínico, seria eu, talvez um .
Fosse a vida mais fácil, e tivesse eu, tempo razoável, pra superar desgraça, não veria graça, seria eu Martinho.
De fato, podendo estar enganado, quero estar correto, seguindo embabacado pela certeza dessa vida, da qual sou fã. 
Ninguém na terra teria, ao meu cego olhar, o medo e a ousadia, e a maravilhosa sabedoria de ser assim, Allan.

Allan Bonfim.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Estamos Prontos?

Lá vai mais um trem azul,digo ônibus.Encanta pela sua rapidez,e confunde quem olha de relance,falo do BRT,Transporte Rápido por Ônibus na simples tradução para o português.
Um ônibus articulado que comporta 110 pessoas sentadas e,na teoria,60 em pé,tem também motor ecologicamente correto,se você se permitir colocar "motor" e "ecologicamente correto" na mesma frase,além de ar-condicionado e televisão.
Esse fenômeno consegue reduzir viagens simples em meia hora e, viagens longas em uma hora e meia,isso sem falar das estações "modulares" que são belas mas nada funcionais.
O BRT é o futuro do Rio,no momento,mostra como estamos preocupados com a mobilidade e preparados para o turismo.
Entre as dezenas de estações, uma chama a minha atenção,a Vicente de Carvalho,que permite a integração com o metrô.
Lá,temos aquelas passarelas lindas de concreto escovado que parece porcelana brilhante,com corrimões de alumínio e uma cobertura em acrílico que ziguezagueia sobre a Avenida ligando os dois serviços e cobrindo um mendigo que se abriga em um dos vãos entre a rampa e o chão.
O Mendigo é o passado do Rio,no momento,mostra como estamos preocupados com a mobilidade e bastante preparados para o turismo.

Allan Bonfim.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Saberemos

Porta fechada,paredes de vidro,gemidos roucos,suspiro desesperado,gritos loucos.Aqui é onde a luxúria se apresenta,e se deleita,e se lambusa de nós.
Curvas côncavas e convexas,pelos,os pequenos,pele,maciez,suor,e desejo desenfreado.
Veias pulsando,vontades implodindo deixando os danos,só os bons,hão de existir,deixam marcas de prazer,o torpor exagerado que embriaga e degenera.
Isso é PAIXÃO,minha amiga.

Allan Bonfim.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Inconvenientes IV

II. Baleiro - Diz-se do vendedor de balas.

Esperava sobre a plataforma,o trem das 14:37.Minha preferência dava-se porque,este,parava apenas em três estações até o destino final.
É então que surge o menino,o tal baleiro,e gritava assim:
- Bala balinha balão me dá um real q'eu ti dô um montão!
Pensei em perguntar se realmente ele vendia balões,mas ciente do desagrado que é ser sacaneado quando se está trabalhando,hesitei.
No lado oposto,descia pela escada do primeiro mezanino da plataforma,um grande ser, um senhor rechonchudo que trazia nas costas uma mochila que esforçava-se esticando as alças para não arrebentar,e na mão um pacote de biscoito,já resignado,sabendo de seu fim iminente.
O menino baleiro,que tinha o corpo magro e os próprios olhos da fome,quando fitou o pacote de biscoitos,teve uma certeza,foi amor a primeira vista,e ao olhar para o indivíduo que portava o pacote,imaginou que pelo seu tamanho,seu imenso tamanho,não iriam lhe fazer falta alguns biscoitos.
Já abordando o gigante,disse:
- Tio,me dá um biscoito aê !
O homem,com semblante tranquilo,olhou para o menino,olhou também para um lado e para o outro,abriu o pacote de biscoitos,lhe sorriu e,já com a boca cheia, respondeu farelante:
- NÃO !
O pobre baleiro saiu choroso,derrotado,como quem perde o trem das onze. Eu que observara toda a cena,apenas ri por dentro,não do menino,e sim do homem pois,no fundo eu sabia,aquele gordo ia para inferno.

Allan Bonfim.